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Cópia, réplica e releitura na Cutelaria Artesanal

Uma coisa muito comum na cutelaria artesanal é o fato de todo cuteleiro iniciante e aprendiz seguir os passos e o estilo de criação do seu mentor e professor, usando-o como inspiração e referência por muito tempo, até encontrar sua própria identidade dentro do mercado, o que depende também das demandas que o próprio segmento exige.

O fato de ter seu mentor como "persona" referência é perfeitamente normal e aceitável no início de carreira, o grande dilema é quando os cuteleiros, considerados artesanais ( Custom Knives), continuam mantendo a mesma linha estética do seu professor ao longo dos anos ou pior, trabalhando exclusivamente em replicar modelos sem qualquer característica que reforce sua identidade própria e sem qualquer pretensão de incorporar novas técnicas ao seu trabalho.

O cuteleiro que se acomoda assim na carreira, infelizmente está fadado ao fracasso ou ao estigma de ficar obsoleto no mercado.


Importante dizer que também há uma outra prática muito comum no universo da cutelaria que consiste em criar réplicas sem qualquer menção ao modelo original ou ao cuteleiro criador.

Portanto, é de bom tom sempre dar o crédito a modelos, estilos e técnicas aprendidas através de outros profissionais.



 

Entendendo os conceitos gerais - CÓPIA, RÉPLICA E RELEITURA:


1. Cópia:

   - Definição: Cópia é a reprodução ou duplicação de uma obra original, visando replicá-la o mais fielmente possível.

   - Características: As cópias geralmente são criadas à mão ou por meios tecnológicos (como impressão ou reprodução digital). Eles procuram imitar os aspectos visuais, o estilo e os detalhes da obra de arte ou do texto original.

   - Objetivo: O principal objetivo de uma cópia é reproduzir as características externas e a aparência da peça original, muitas vezes por vários motivos, como preservação, distribuição ou fins educacionais.


 

2. Réplica:

   - Definição: Uma réplica é um tipo específico de cópia que se destina a ser uma reprodução exata ou muito aproximada da obra original.

   - Características: As réplicas buscam um alto nível de fidelidade ao original, visando capturar não apenas os aspectos visuais, mas também os materiais, dimensões e detalhes com a maior precisão possível.

   - Objetivo: As réplicas geralmente são feitas para exposições, para fins de restauração ou para colecionadores que desejam uma representação precisa da peça original.


 

3. Releitura:

   - Definição: A releitura envolve revisitar e interagir comuma obra

   - Características: Envolve uma exploração e compreensão mais profunda do conteúdo, temas e nuances do trabalho original. A releitura permite novas perspectivas, interpretações e descobertas.

   - Objetivo: A releitura consiste em obter uma compreensão mais rica e profunda das camadas, significados e complexidades incorporadas na obra. Muitas vezes isso é feito para descobrir insights, conexões ou revelações pessoais mais profundas que podem não ser imediatamente aparentes no primeiro encontro.



Vamos à um exemplo prático de releitura:

  • Lâmina Rodney Rogers pelo cuteleiro Fabio Luza.



A releitura trás traços que lembram muito, perfil... mas você incorpora ao seu estilo. Fiz do meu jeito: para lembrar bem a faca, mas ao mesmo ter os meus traços ali. ( Fábio Luza)

Referência de design, perfil e traços baseados na faca original de Rodney Rogers dos anos 90. Referência de desenho da empunhadura chefe apache "O grande urso", scrimshaw collab com tatuador Rafael Miller.


Diferenças:

  • Tipo de aço

  • Sem mosqueado

  • Choil

  • Bolster

  • Espessura da lâmina

  • Material da empunhadura

  • Pegada mais avançada

  • Desbaste hollow




Ao reinterpretar uma faca, principalmente se for um modelo muito característico ou famoso, vários aspectos devem ser considerados:

 

1. Forma e Composição: Compreender a estética da lâmina, examinar as características mais relevantes, proporções e o equilíbrio da faca em geral.


2. Materiais e Técnicas: Analisar os materiais utilizados na criação e as técnicas empregadas. Isso inclui compreender como o cuteleiro desenvolveu cada fase do processo, desde o aço usado, o tipo de tratamento térmico, o estilo de desbaste, o perfil, formato e a construção da lâmina, o material do cabo (bem como texturas e ornamentos extras), a ancoragem da empunhadura até as dimensões e o peso final da faca.


3. Contexto e Intenção: Explorar o contexto histórico, cultural e social em que que a lâmina foi criada. Compreender as referências e a intenção do cuteleiro, a funcionalidade e o significado que a peça pretendia transmitir dentro do seu período de tempo ou movimento.

 

4. Simbolismo e Significado: Identificar e interpretar o simbolismo embutido na estética e função da lâmina. Isso envolve explorar potenciais temas, metáforas ou mensagens implícitas no conceito da faca.

 

5. Impacto Emocional e Estético: Avaliar a resposta emocional e o apelo estético evocados pela faca. Compreender como a peça se comunica com seu usuário e suscita certos sentimentos ou pensamentos.

 

6. Interpretação Pessoal: Conceito que permite as perspectivas e interpretações pessoais do novo cuteleiro. Reinterpretar um modelo de faca muitas vezes envolve trazer as próprias experiências, crenças e ideias para a análise, o que pode levar a novos insights e entendimentos.

 

7. Análise Comparativa: Comparar a faca com outras lâminas do mesmo artista ou dentro do mesmo movimento histórico. Isso pode fornecer um contexto mais amplo e ajudar a compreender o estilo, a evolução ou as contribuições do cuteleiro na época.

 

A reinterpretação de uma faca ao longo do tempo envolve uma abordagem multidimensional que considera não apenas os aspectos estético, mas também as camadas históricas, emocionais e contextuais do tempo e espaço, convidando os apreciadores a terem um novo olhar para a nova abordagem em relação ao modelo original.


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