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Faca Sorocabana - História

Atualizado: 4 de dez. de 2023


De parentesco incerto, a faca sorocabana provavelmente se desenvolveu a partir do fim do período colonial no Brasil, atingindo suas características definitivas já por volta de 1830, durante o Império. O incomum método enterçado de construção pode ter sido usado em razão da relativa dificuldade para se obter ou fabricar boas lâminas no Brasil antes do século XX, sendo necessário reciclar as lâminas quebradas de espadas militares importadas e adaptá-las a uma empunhadura nova, de fabricação local. Embora também fosse produzida em outras cidades de São Paulo e Paraná, a alcunha de Sorocabana decorre do fato da cidade de Sorocaba ter sido um importante centro de sua fabricação e provável local de origem.



CARACTERÍSTICAS:


EMPUNHADURA


Exemplo de Kilij da Turquia com empunhadura semelhante, embora sem o embarrigamento típico das Sorocabanas.

O principal aspecto distintivo de uma Faca Sorocabana é o desenho da sua empunhadura. A empunhadura termina em uma circunferência frequentemente decorada com um disco de metal conhecido diversamente como olho de peixe, olho de gato ou olhal. O formato apresenta certa semelhança com a empunhadura de algumas armas do Oriente Médio, especialmente do Kilij turco, embora estes tenham uma empunhadura cilíndrica ou cônica, enquanto a Sorocabana sempre vem acompanhada de um leve embarrigamento, mais ou menos na metade da empunhadura. Alguns exemplares do século XIX apresentam guardas simples em D ou em S para proteger a mão do usuário. O formato ergonômico da empunhadura permite um manuseio confortável e impede que a faca escape da mão ou que a mão escorregue sobre a lâmina.



LÂMINA


De forma geral, a lâmina tem apenas um gume, é longa e estreita. O formato privilegia o uso como arma cortante com alguma, mas limitada, capacidade de perfuração. Há certa variação no comprimento e no formato. Os exemplares antigos tem o dorso de espessura fina (entre 2 e 3mm), frequentemente com lâminas entre 8 e 16 polegadas (cerca de 20 a 40 cm), embora existam muitos exemplares menores e maiores do que isso; alguns atingindo o tamanho de espadas. É comum a lâmina apresentar uma leve curva, como os sabres militares, enquanto a lâmina reta, com algumas exceções, é mais frequente entre os facões de origem industrial. Algumas raras lâminas, geralmente de fabricação no século XX, apresentam também um clip point, como nas facas



ENTERÇO

O enterço é um técnica de construção atípica para facas e que consiste em inserir uma lâmina (fabricada separadamente ou reaproveitada) a uma fenda cortada no ricasso e unir as duas peças com rebites. O ricasso e lâmina eram alinhados e furados, os rebites eram então aquecidos e caldeados à faca, formando uma união bem rígida entre lâmina e empunhadura. Também era comum a decoração do ricasso com talas de prata, latão ou alpaca. Com o advento da industrialização e da produção em massa, as facas sorocabanas passaram a ser construídas com espiga integral e gradualmente deixaram de apresentar o enterço, embora ainda hoje alguns cuteleiros preservem o método tradicional de construção por motivos estéticos ou de autenticidade histórica.




 

Fonte:

GAZINHATO, Laércio (2018). Facas brasileiras antigas. Curitiba, PR: Natugraf. 268 páginas

CAMPELLO, Augusto José de Sá. «Facas Brasileiras» (PDF). Consultado em 21 de setembro de 2020




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1 comentariu


Nic Blade
Nic Blade
18 dec. 2022

tenho uma exatamente igual.

Apreciază
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